Sou um misto do tudo e do nada,
uma imitação do que não existe.
Sou um famoso e anónimo.
Divido-me em partes mas sou inteiro,
ora incerto, ora derradeiro.
Sou a verdade das contradições,
nunca me esqueço do que não me lembro.
Cresci por fora, envelheci por dentro
não encontro razão no meu intento.
Um dia vou voar sem asas,
e sem qualquer outro engenho
porque apesar de envelhecer,
nunca chegarei a velho.
Escrevo porque a literatura
é a maneira mais agradável de ignorar a vida,
e um poema é a expressão de ideias ou sentimentos
numa linguagem que ninguém emprega.
Afinal, ninguém fala em verso.
Amo a música e ela ama-me a mim,
quando estou com ela o tempo não tem fim.
Vivo preso à minha liberdade,
morro dependente da liberdade dos outros.
Ser benfiquista é ter na alma a chama imensa,
tenho essa chama desde que nasci
e certamente até ao dia em que morri.
Vivo na sombra do Sol e nos raios da Lua,
não me desvio do vento
mas caminho nos intervalos da chuva.
Sou um apaixonado por mim próprio, que não se suporta a si mesmo.
Autobiografia.
Autobiografia simplesmente deliciante, digna de um verdadeiro escritor.
ResponderExcluirQue exagero.
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